Primeiro, o termo, porque a confusão é real: GEO aqui é Generative Engine Optimization, o trabalho de tornar uma marca citada nas respostas de assistentes de IA como o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity. Não é geomarketing, não é gestão estratégica organizacional, não é expansão internacional. Feita a desambiguação, a pergunta certa de quem contrata: o que é que uma consultora de GEO entrega, semana a semana, nos primeiros 90 dias, e o que é que nenhuma pode prometer nesse prazo? Este artigo responde com o calendário que praticamos, para servir de bitola a qualquer proposta.
Semanas 1 e 2: baseline e fundação técnica
Nada de visível para fora ainda, e é assim que deve ser. O entregável central é a baseline de medição: as perguntas de compra da categoria correm nos motores de IA e fica registado onde a marca aparece, onde não aparece, e quem aparece no lugar dela. Em paralelo, fecham-se as correcções técnicas de ciclo curto:
- Schema.org nas páginas-chave (Organization, Service, FAQPage), com a entidade ligada por
sameAs. robots.txta autorizar os crawlers de IA relevantes ellms.txtpublicado.- Páginas-chave reescritas para abrir com a resposta na primeira frase, em passagens autocontidas que um motor consegue citar isoladas.
No fim da semana 2 deve ter em mãos: a fotografia inicial com números, a lista priorizada de lacunas e o plano do trimestre. Se a proposta não inclui baseline medida, o resto do calendário não é verificável.
Semanas 3 a 6: conteúdo que responde e entidade
Com a fundação fechada, o trabalho vira-se para o que os motores citam. As entregas típicas deste bloco:
- Conteúdo de decisão: páginas que respondem às perguntas de compra reais da categoria (comparações, critérios de escolha, custos, prazos), uma pergunta por secção, nas palavras do comprador.
- Entidade: consolidação em Wikidata, perfis e descrições consistentes em todas as plataformas, autores declarados com credenciais nas páginas-chave.
- Medição contínua a rodar: a mesma bateria de perguntas repete-se com cadência fixa, e o relatório passa a mostrar variação semana a semana, não fotografias soltas.
A base científica desta fase vem do trabalho da Universidade de Princeton que deu nome à disciplina: Aggarwal et al. (KDD 2024) mediram que optimizações de conteúdo e de fontes podem aumentar a visibilidade em respostas geradas até cerca de 40% nas condições do estudo. É o argumento para trabalhar conteúdo citável em vez de esperar pela sorte, com a ressalva honesta de que resultados por marca variam com a categoria e a concorrência.
Semanas 7 a 12: autoridade e leitura de tendência
O último bloco ataca o que demora mais e rende mais: as fontes externas que os motores citam quando decidem quem recomendar.
- Presença nas fontes da categoria que os motores já citam: imprensa, directórios e listas relevantes, comunidades onde a categoria se discute.
- Dados originais publicados (um estudo, um barómetro, números próprios com metodologia), porque dados citáveis são o formato que mais atrai citação.
- Leitura de tendência: no fim do trimestre, a medição semanal permite comparar o antes e o depois com as mesmas perguntas e os mesmos motores.
A referência pública para os fundamentos continua a ser a documentação da própria Google (Search Central): as funções de IA da pesquisa assentam nos mesmos princípios de conteúdo útil, rastreável e verificável do índice clássico. Não há atalho técnico que substitua isto, e quem o vende está a vender risco.
O que não esperar em 90 dias
Três promessas que nenhuma consultora controla neste prazo, e que servem de teste de honestidade a qualquer proposta:
- Posição garantida numa resposta de IA. Os modelos não vendem posições; quem garante está a inventar.
- Entrada na memória de treino dos modelos. O que os modelos sabem sem pesquisar a web muda em ciclos de treino, medidos em meses. Em 90 dias trabalha-se a via da pesquisa; a memória é trabalho de fundo que começa agora e rende depois.
- Artigo na Wikipedia. Sem cobertura de imprensa independente prévia, não há elegibilidade. A ordem certa é imprensa primeiro, enciclopédia depois.
Para fechar
Um trimestre bem gasto com uma consultora de GEO termina com fundação técnica fechada, medição contínua a correr, conteúdo de decisão publicado e uma tendência legível nos números. Peça este calendário por escrito a qualquer fornecedor, connosco incluído: o método que praticamos está publicado na página de serviço, e a medição que sustenta cada fase é o Visibility Tracker.
Ver também: Quanto custa uma consultora de GEO em Portugal (formatos e drivers de preço); Como escolher uma consultora de GEO (os sete critérios); e os dois modos de resposta da IA (porque é que os prazos diferem entre pesquisa e memória).