Quando o comprador de uma SaaS B2B pergunta a um assistente de IA pela melhor solução da sua categoria, a resposta traz duas ou três marcas. Entrar nessa resposta é um trabalho próprio, com nome: Generative Engine Optimization, GEO. Contratar quem o faça bem é onde a maioria das empresas portuguesas ainda tropeça, porque o mercado é novo e o termo é ambíguo. Este texto dá critérios objectivos para avaliar um parceiro, sem promessas e sem jargão.
Primeiro, desfaz a confusão: GEO não é geomarketing
A sigla engana. GEO, aqui, é Generative Engine Optimization: tornar a marca citável nas respostas de ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e do Google AI Mode. Não é geomarketing (análise geográfica de mercados), não é growth ops, não é segmentação por localização. É um erro comum, e não só humano: quando medimos como os próprios motores interpretam o termo, uma parte confunde-o com o sentido geográfico se o contexto não estiver claro.
A consequência prática para quem contrata: se um fornecedor usa “GEO” para falar de anúncios por zona ou de growth hacking, não está a falar de visibilidade em IA. Vale a pena a primeira pergunta de despiste: quando dizem GEO, referem-se a aparecer nas respostas do ChatGPT, ou a outra coisa?
O que uma consultora de GEO para SaaS B2B faz mesmo
Antes dos critérios, o trabalho em si. Numa SaaS B2B, GEO honesto assenta em quatro frentes que se sustentam umas às outras:
- Fundação técnica: schema, llms.txt, robots.txt para crawlers de IA, HTML extraível, performance. Sem isto, os motores não leem bem o site e a melhor autoridade externa não chega a ser vista.
- Citabilidade da marca como entidade: presença consistente nas fontes que os modelos lêem (comparadores, directórios de software, publicações do sector, comunidades qualificadas), com dados estruturados a ligar os perfis.
- Conteúdo que a IA cita: definições limpas, dados com fonte, respostas directas às perguntas de compra da categoria. Diferente de conteúdo optimizado para clique.
- Medição própria: citation rate e share of voice por motor, sobre prompts reais do sector, não posição em SERP.
Sete critérios para avaliar um parceiro
1. Método declarado, não uma lista de tácticas
Pergunta pelo método. Um parceiro sério tem um sistema explicável, com fases e dimensões, não uma sacola de truques. Interessa sobretudo o âmbito: GEO não é só técnico. Um bom método cobre técnico, conteúdo, entidade, autoridade externa, sinais sociais, autoridade no próprio site, medição e posicionamento. Quem reduz GEO a “metemos schema e llms.txt” está a fazer um oitavo do trabalho. É este o racional das oito dimensões do método SINAL que usamos, e a razão de o publicarmos sem caixa preta.
2. Medição verificável, com números datados
Se não se mede, não se sabe. Exige métricas concretas: quantos por cento das respostas te citam (citation rate), que fatia tens face aos concorrentes (share of voice), em que lugar apareces quando és recomendado. E exige que sejam reproduzíveis: mesmos prompts, mesma cadência, histórico ao longo do tempo. Uma consultora que só mostra impressões de ecrã soltas não tem medição, tem anedota.
3. Prompts de fundo de funil, não vaidade
Para uma SaaS B2B, o que converte são as perguntas de compra: “melhor [categoria] para [caso de uso]”, “ alternativa a [ferramenta]”, “[categoria] para equipas em Portugal”. Confirma que o parceiro mede estas, organizadas por persona (quem decide) e por fase de funil, e não apenas termos genéricos de topo que impressionam mas não fecham negócio.
4. Entende os dois modos dos motores
A tua marca pode aparecer no modo de memória de um motor e desaparecer no modo de pesquisa web, ou o contrário. Essa distinção knowledge vs augmented diz se o problema é de entidade (a IA não te conhece) ou de presença na web (a IA não te encontra quando pesquisa). Quem não mede os dois modos não sabe qual dos dois problemas está a resolver.
5. Trata o SEO como base, não como rival
GEO assenta sobre SEO técnico. Um parceiro que trate os dois como uma só stack (indexação e schema em condições, e por cima a camada de citabilidade) está a construir sobre alicerces. Quem promete GEO ignorando a base está a pôr casa sobre areia. Para negócios com morada, o mesmo se aplica ao SEO local: Google Business Profile, reviews e sinais geográficos entram na conta.
6. Honestidade sobre o que não se garante
Nenhuma consultora controla a resposta de um modelo. Quem garante posições em IA está a vender o que não pode entregar. O compromisso legítimo é medir com transparência, ligar cada lacuna a uma acção, e mostrar o antes e o depois. Uma promessa de recomendação garantida é, por si só, um critério de exclusão.
7. Âmbito local mais digital, quando faz sentido
A maioria das SaaS B2B é um negócio digital puro. Mas se tens também operação com morada (eventos, escritório, componente de serviço local), procura quem cubra as duas camadas com o mesmo rigor, em vez de tratar o local como um extra. A vantagem é ter uma leitura única da tua visibilidade, digital e local, em vez de duas meias-leituras.
Perguntas para fazer numa primeira conversa
- Qual é o vosso método, e que dimensões cobre além do técnico?
- Que métricas reportam, com que frequência, e como são reproduzíveis?
- Medem prompts de fundo de funil da minha categoria? Podem dar exemplos?
- Distinguem modo de memória e pesquisa web? Porque importa?
- Como tratam a base de SEO técnico e, se aplicável, local?
- O que é que explicitamente não garantem?
As respostas separam quem faz do que faz pitch em poucos minutos. Vagueza, promessas de posição e confusão entre GEO e growth são os sinais para parar.
Para fechar
O mercado de GEO em Portugal é novo, e por ser novo há muito território por ocupar e algum ruído a filtrar. Para uma SaaS B2B, o critério que resume os outros é simples: procura quem meça o que faz, cubra o âmbito todo e seja honesto sobre os limites. Um parceiro assim não te promete o lugar na resposta da IA. Promete mostrar-te onde estás, o que falta, e o antes e o depois de cada passo. É o que dá para exigir, e o que vale a pena contratar.
Ver também: Consultoria GEO em Portugal: o panorama em 2026 (a página pilar, com o enquadramento da categoria); Quando GEO não compensa (quatro critérios para saber se vale o investimento agora); e o que medimos sobre a visibilidade das empresas portuguesas na IA. Para ver como trabalhamos cada camada, a página de método.