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O Estado da Visibilidade em IA do SaaS B2B Português, 2026

45 empresas auditadas em 4 motores de IA. 96% sem política para crawlers de IA. 56% não é recomendada por nenhum dos quatro assistentes quando se pergunta pela sua própria categoria.

Por destaque.ai · Consultoria de GEO

Resumo executivo

Auditámos 45 empresas de SaaS B2B portuguesas em duas dimensões: a prontidão técnica dos seus sites para a IA, e a sua visibilidade real nas respostas de quatro assistentes de IA (ChatGPT, Claude, Gemini, Grok). Os resultados são duros: 96% não tem qualquer política definida para crawlers de IA, e 56% não é recomendada por nenhum dos quatro assistentes quando se pergunta pela sua própria categoria. Só 29%, menos de uma em cada três, surge como recomendação efetiva em todos os motores. Quando a categoria é pagamentos, hotelaria ou indústria, o assistente recomenda a Stripe, a Cloudbeds ou a UpKeep, não a empresa portuguesa. A maioria do SaaS B2B nacional ainda não existe na resposta que os compradores leem.

Nota de leitura: medimos a fundo o SaaS B2B porque é o segmento onde temos dados primários robustos. O padrão de invisibilidade na IA aplica-se igualmente a marcas locais (clínicas, restauração, turismo, comércio de proximidade), só que aí o trabalho de visibilidade assenta em sinais distintos (Google Business Profile, reviews, NAP, schema LocalBusiness, diretórios locais). Sem dados públicos para o declarar com este rigor, evitamos extrapolar números, o método e o problema são reconhecidamente os mesmos.

Porque é que isto importa

Quando um comprador B2B pergunta a um assistente de IA, ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity, pela categoria de uma empresa, o modelo responde com uma curta lista de nomes. Estar (ou não) nessa lista é a nova primeira impressão. Este estudo mede duas coisas: se as empresas estão tecnicamente preparadas para serem lidas pela IA, e se de facto são recomendadas quando alguém pergunta.

Parte 1: Prontidão técnica

Auditámos, em cada site público, três sinais que tornam uma marca legível e citável pelos modelos.

A leitura honesta: estas empresas não estão a bloquear a IA, estão a ignorá-la. O acesso está aberto por omissão, mas quase nenhuma tomou uma decisão deliberada, e a base de identidade estruturada falta em mais de metade.

Parte 2: Visibilidade real nos motores de IA

Para cada uma das 31 categorias, corremos a pergunta que um comprador faria, em quatro motores (ChatGPT, Claude, Gemini, Grok), 3 vezes cada. O critério é exigente e deliberado: uma empresa só conta como “aparece” se for recomendada de facto (não apenas mencionada de passagem) em pelo menos 2 das 3 corridas. Uma menção solta a meio de um parágrafo não conta como visibilidade.

Taxa de recomendação por motor:

Claude40%
ChatGPT30%
Gemini29%
Grok29%
Gráfico 1: Percentagem das 45 empresas portuguesas que cada motor recomenda quando se pergunta pela sua categoria. Claude 40%, ChatGPT 30%, Gemini 29%, Grok 29%.

A distribuição que conta (45 empresas, 4 motores):

  • Recomendada nos 4 motores29%
  • Recomendada em 1 a 3 dos 4 motores16%
  • Mencionada (não recomendada)24%
  • Completamente invisível31%
Gráfico 2: Distribuição das 45 empresas por nível de visibilidade nos 4 motores. 29% recomendadas em todos os quatro, 16% em 1 a 3, 24% mencionadas mas nunca recomendadas, 31% completamente invisíveis.

Citação: ~2% em todos os motores. Ver a nota metodológica, com pesquisa web desligada, os modelos respondem de memória (recall) e quase não citam fontes com link. Isto mede recomendação por reconhecimento, não citação com fonte.

Por categoria, onde se ganha e onde se perde

Saúde / HR100%
Faturação / ERP60%
Contact center50%
Dev / segurança / dados25%
Pagamentos11%
Indústria / operações7%
Hotelaria / turismo0%
Gráfico 3: Taxa de recomendação por categoria (% das empresas da categoria recomendadas em ≥2/3 corridas em qualquer dos 4 motores). Saúde/HR 100%, faturação 60%, contact center 50%, dev/segurança 25%, pagamentos 11%, indústria 7%, hotelaria 0%.

Quem a IA recomenda no lugar delas

Os players internacionais que ocupam o espaço, por categoria: Stripe (pagamentos), Cloudbeds / SiteMinder / Mews (gestão hoteleira), Fiix / UpKeep / MaintainX (manutenção industrial). Em quase todas as categorias, a marca portuguesa fica para segunda ou terceira frase, ou não aparece de todo.

O que isto significa

Cruzando as duas partes: a invisibilidade não é acaso. As empresas que não são recomendadas tendem a ser as que também não têm a base técnica, sem schema, sem política de IA, sem conteúdo extraível, e/ou marcas pequenas demais, com nome ambíguo, ou que pivotaram. A IA recomenda quem reconhece com confiança; o resto fica de fora, e o espaço é preenchido por marcas internacionais com presença e autoridade maiores. Para uma empresa de SaaS B2B portuguesa, não ser recomendada pela IA é, cada vez mais, não estar na decisão de compra.

Que os quatro motores, incluindo o ChatGPT, o mais usado, convirjam em números tão próximos (29-40% de recomendação) reforça que isto não é peculiaridade de um modelo: é um padrão transversal de como a IA, hoje, vê (ou não vê) o SaaS B2B português.

Isto não é um juízo de valor sobre estas empresas, várias são scale-ups e até unicórnios. É um diagnóstico de notabilidade aos olhos dos modelos: um problema técnico e editorial, não de qualidade do produto. E é resolúvel.

O que verificar hoje (4 perguntas)

  1. robots.txt, tem uma decisão consciente sobre crawlers de IA? (Permitir é legítimo; não decidir é ficar à mercê do default.)
  2. Schema Organization + sameAs, o seu site declara à IA quem é e liga os seus perfis?
  3. llms.txt, tem um resumo legível para modelos? (Higiene, não garantia.)
  4. É recomendado? Pergunta aos quatro assistentes pela sua categoria. Se não o veem, sabe onde está.

Metodologia

Limites (o que este estudo NÃO prova)

Recursos relacionados

Dataset público

Publicamos os agregados deste estudo em ficheiro aberto: a taxa de recomendação por motor, a distribuição das 45 empresas pelos quatro escalões de visibilidade, e a taxa por categoria. É o suficiente para reproduzir os gráficos desta página. A medição empresa a empresa não é publicada, porque as 45 empresas são identificáveis e este estudo compromete-se a não as expor por nome.

Descarregar os agregados (CSV). Licença Creative Commons BY 4.0: pode reutilizá-los com atribuição a destaque.ai.

Sobre este estudo

Conduzido pela destaque.ai, consultoria de Generative Engine Optimization (GEO) para SaaS B2B, em Lisboa. Dados públicos e medições por API, recolhidos em maio de 2026. Metodologia e prompts disponíveis mediante pedido.

Dados publicados sob licença CC BY 4.0, pode reproduzi-los livremente, mantendo a atribuição a destaque.ai com link para esta página.

English abstract

The State of AI Visibility for Portuguese B2B SaaS, 2026. We audited 45 Portuguese B2B SaaS companies on two axes: the technical AI-readiness of their websites, and their actual visibility across four AI assistants (ChatGPT, Claude, Gemini, Grok). Findings: 96% have no defined policy for AI crawlers, and 56% are not recommended by any of the four engines when asked about their own category, only 29% surface as a genuine recommendation across all four. Where Portuguese brands are absent, international players (Stripe, Cloudbeds, UpKeep) take their place. A company “appears” only if recommended (not merely mentioned) in ≥2 of 3 runs. Measurement was via API with web search off, so results reflect model recall (~2% link citations), reported across four engines under the same regime. By destaque.ai, a Generative Engine Optimization consultancy in Lisbon. Methodology available on request.