Forma-se um novo canal de descoberta: o comprador pergunta ao assistente de IA quem contratar, e a resposta chega com uma curta lista de nomes. Muitas empresas fortes no Google orgânico estão ausentes dessa lista, e não o sabem. Quem não é mencionado não entra na conversa. Neste barómetro, a força média no Google é de 30 em 100 e a visibilidade média na IA é de 18 em 100. 41% das empresas estão totalmente invisíveis na IA, sem uma única menção, e 59% aparecem em 10% ou menos das perguntas de comprador testadas. É um retrato de um motor, direcional, mas o padrão é claro.
O novo ponto de partida da procura
A pesquisa de fornecedores está a mudar de sítio. Estudos internacionais recentes apontam que uma parte crescente dos compradores B2B começa a procura num assistente de IA em vez do Google. Um inquérito da G2 (The Answer Economy, 2026) situa em 51% a fatia de compradores que recorre mais vezes a um assistente do que ao Google, acima dos 29% de onze meses antes. A Forrester (2026), num inquérito a cerca de 18 mil compradores, reporta que 94% usaram um modelo de linguagem em algum ponto do processo de compra.
Sobre conversão, os dados de terceiros são direcionais e contestados: alguns estudos sugerem que o tráfego vindo de assistentes converte várias vezes mais que o orgânico, outros encontram diferenças pequenas ou não significativas. Tratamo-lo como sinal, não como facto assente. O que interessa reter é mais simples: o canal existe, cresce, e a força no Google não se transfere sozinha para ele.
O que medimos
Para cada empresa cruzámos dois sinais numa escala de 0 a 100: a força no Google orgânico e a visibilidade nas respostas de IA. A distância entre os dois é o que chamamos gap, calculado assim:
gap = força_google × (100 − visibilidade_ia) ÷ 100
Um gap alto significa forte no Google e fraco na IA, ou seja, muita presença por transportar para o novo canal. Um gap baixo significa que os dois sinais já estão próximos.
Os dois números que mais dizem, porém, são de cobertura, não de média:
- 41% das empresas estão totalmente invisíveis na IA: zero menções nas respostas testadas.
- 59% aparecem em 10% ou menos das perguntas de comprador que corremos.
Não é um problema de qualidade do produto. É um problema de presença: a empresa existe, tem site, rankeia no Google, e mesmo assim não é nomeada quando o comprador pergunta ao assistente pela categoria.
Onde o desencontro é maior
O gap não é uniforme. Há sectores onde a força no Google é alta e a presença na IA quase nula, e é aí que a oportunidade por transportar é maior. O gap máximo medido por sector:
No extremo oposto, alguns sectores já estão relativamente mais presentes na IA, com gaps menores: resíduos, recursos humanos, faturação e renting de frotas. A leitura não é que estes estão resolvidos, é que a distância a fechar é menor.
O padrão, em três exemplos
Para tornar o padrão concreto, três casos anonimizados (indicamos o sector, não a empresa). Os números são força no Google, visibilidade na IA e o gap resultante:
O mesmo perfil repete-se: reputação e ranking sólidos no Google, presença residual nas respostas de IA. A força de um canal não está a chegar ao outro.
Porque quem chega primeiro consolida
O novo canal não herda a hierarquia do antigo. Recomeça, em boa parte, do zero. E tem uma dinâmica própria: os assistentes tendem a repetir as fontes e os nomes que já reconhecem, porque a confiança se acumula. Quem se estabelece cedo como referência citável de um tema torna-se a resposta por omissão, e cada citação reforça a seguinte.
A implicação é desconfortável para quem está confortável no Google. A vantagem orgânica construída ao longo de anos não protege a posição na IA, e o intervalo em que é barato ocupar espaço vazio não fica aberto para sempre.
O que ainda temos a descobrir em Portugal
Este barómetro dimensiona um padrão. Não o fecha. As perguntas que ficam em aberto, e que o próximo passo (diagnóstico multi-motor, com 7 assistentes) vai endereçar:
- Que sectores concentram o maior gap quando se medem vários motores, e não só um.
- Se o comprador português começa mesmo no assistente, ou ainda maioritariamente no Google.
- Que peso tem o Copilot, via Microsoft 365, na descoberta de fornecedores no tecido empresarial português.
- Se o português europeu pesa nas respostas, ou se os modelos respondem sobretudo a partir de fontes em inglês e em português do Brasil.
- A que velocidade a janela se fecha, ou seja, quão depressa os primeiros a entrar consolidam a vantagem.
- Período e âmbito: julho de 2026, 18 sectores B2B em Portugal, 251 empresas identificadas e pontuadas.
- Respostas de IA: 144 respostas de assistente recolhidas a partir de perguntas reais de comprador, em dois modos, de memória (sem pesquisa) e com pesquisa web ao vivo.
- Sinal Google: 41 pesquisas web, das quais se infere a posição orgânica. É um proxy (mediana de várias pesquisas), não uma medição de laboratório nem SERP paga.
- Deteção de menções: correspondência literal em código, o nome e o domínio da empresa em cada resposta. Não é opinião do modelo, é reproduzível.
- Motor: Claude (Anthropic), um só. Por desenho, o sinal é direcional: serve para dimensionar o padrão, não é um censo. O diagnóstico multi-motor (7 assistentes) é o passo seguinte.
- O que não afirmamos: não extrapolamos estes números para todas as empresas portuguesas. É um barómetro exploratório, de um motor. Medimos menção, que não é o mesmo que recomendação. Os dados de conversão de terceiros são direcionais e contestados.
Dataset público
Publicamos os agregados deste barómetro em ficheiro aberto: as médias, a distribuição e o gap máximo por sector. É o suficiente para reproduzir os gráficos desta página. Por ser um barómetro de um motor, publicamos os agregados, não uma linha por empresa.
Descarregar os agregados (CSV). Licença Creative Commons BY 4.0: pode reutilizá-los com atribuição a destaque.ai.
Distinção de outro estudo nosso
Este barómetro é distinto do Estudo da Visibilidade em IA do SaaS B2B Português 2026 (45 empresas, 4 motores, critério de recomendação). Aquele mede se é recomendado; este cruza a sua força no Google com a sua visibilidade (menção) na IA, em 251 empresas e um motor. Os números não são directamente comparáveis: são recortes diferentes do mesmo problema.
O primeiro passo
A assimetria entre o Google e a IA está a fechar-se, e os assistentes tendem a repetir as fontes que já conhecem: quem entra cedo consolida. Não há aqui uma revolução para vender. Há uma distância mensurável, e a vantagem de a ver antes dos outros.
O passo útil é concreto e não precisa de nós para começar: pega nas perguntas que os seus compradores fariam, corre-as nos assistentes, e vê se aparece. Se quiser esse retrato feito com método, é o que fazemos na auditoria e no diagnóstico.
Recursos relacionados
- Consistência da visibilidade em IA: serviços ao consumidor 2026: 84 marcas em sete sectores e sete motores, com pesquisa web activa: mede a consistência da recomendação entre motores.
- O Estado da Visibilidade em IA do SaaS B2B Português 2026: o estudo das 45 empresas, com critério de recomendação em 4 motores.
- SEO vs GEO: porque a base importa, mas já não chega: estar no topo do Google deixou de garantir ser citado pela IA.
- Consultoria GEO em Portugal: o panorama: o enquadramento da categoria e como avaliar um parceiro.
- Como trabalhamos: auditoria gratuita, diagnóstico e retainer.
Fontes de contexto (terceiros, direcionais): G2, The Answer Economy, 2026; Forrester, 2026 (inquérito a cerca de 18 mil compradores B2B). Dados do barómetro: medição própria da destaque.ai, julho de 2026, um motor (Claude). Publicado sob CC BY 4.0.